Saltar para o conteúdo

Setores

Apoio multilingue no turismo: sazonalidade sem perder qualidade

O problema do turismo não é o volume médio, é a razão entre o pico e o vale. Um modelo que só resolve o pico destrói a qualidade fora dele.

Equipa editorial da Corpshore Portugal

Escrito pela equipa que monta estas operações. Sem autoria individual atribuída: o que está aqui é trabalho revisto internamente, não opinião pessoal.

Publicado a

Apoio multilingue no turismo: sazonalidade sem perder qualidade

Que forma tem a curva de procura?

Em muitas operações turísticas portuguesas, o volume de agosto é três a cinco vezes o de janeiro, e a composição linguística muda com ele: mais alemão e neerlandês no verão, mais mercado nacional e espanhol fora de época.

Dimensionar para o pico deixa a equipa subutilizada metade do ano; dimensionar para o vale destrói o verão. A saída é um núcleo permanente com uma camada sazonal treinada com antecedência, não recrutada em junho.

Porque é que Portugal serve bem esta operação?

Porque as línguas estão disponíveis localmente, sobretudo inglês, espanhol, francês e alemão, e porque a proximidade cultural com os mercados emissores europeus reduz o atrito nas situações difíceis, que no turismo são frequentes e emocionais.

Há também a componente de fuso: Portugal cobre a manhã europeia inteira e ainda alcança o início do dia americano, o que interessa a quem recebe reservas do outro lado do Atlântico.

Como se dimensiona um núcleo permanente?

Pelo volume do vale, não pela média do ano. O núcleo é a equipa que tem trabalho suficiente em janeiro para justificar um contrato sem termo, e tipicamente fica entre vinte e trinta por cento do pico. Dimensionar acima disso cria subocupação de inverno; dimensionar abaixo destrói o conhecimento entre épocas.

O núcleo deve concentrar as competências que demoram mais a formar: os casos complexos, as línguas mais raras, a supervisão e a formação. A camada sazonal trata o volume de casos frequentes, que é a maior parte do pico e o que se forma mais depressa.

Fora de época, o núcleo não deve ficar à espera. Trabalho de melhoria de base de conhecimento, revisão de guiões, formação cruzada em línguas adicionais e preparação dos materiais da época seguinte ocupam-no produtivamente e reduzem o custo de arranque do verão seguinte de forma mensurável.

Quando se recruta e forma a camada sazonal?

O recrutamento deve fechar cerca de oito semanas antes do início da subida e a formação deve terminar antes de o volume começar a crescer, não durante. Uma equipa a formar-se enquanto o volume sobe forma-se mal e degrada o serviço nas duas frentes ao mesmo tempo.

Há uma restrição de mercado que complica isto: no Algarve, a concorrência por trabalhadores sazonais é intensa exactamente nas semanas em que toda a gente recruta. Sair a campo dois meses antes dos outros custa pouco e resolve a maior parte do problema de disponibilidade.

A medida com melhor retorno é recontratar. Alguém que trabalhou a época anterior chega formado, conhece os sistemas e os casos, e a formação inicial reduz-se a uma actualização de dois dias. Manter contacto durante o inverno e oferecer primeiro a quem já esteve custa quase nada e muda a economia da época.

Que canais e que línguas em cada momento?

No pico de verão, voz e mensagem em tempo real dominam, porque as situações são urgentes: um voo alterado, um alojamento que não corresponde, uma chave que não funciona às onze da noite. Fora de época, o correio electrónico e os formulários recuperam peso e o tempo de resposta tolerado alarga.

A composição linguística acompanha. Inglês é constante o ano inteiro. Alemão e neerlandês concentram-se no verão e em períodos específicos de férias escolares do norte da Europa. Espanhol tem um padrão próprio ligado a fins-de-semana prolongados e feriados ibéricos. O mercado nacional pesa mais fora de época.

Planear por língua e por semana, em vez de por total mensal, é a diferença entre ter a pessoa certa disponível e ter pessoas suficientes das línguas erradas. Os dados do ano anterior chegam para fazer este planeamento e quase nunca são usados para isso.

Como se mantém a qualidade no pico?

Com avaliação de qualidade que não pára quando a fila cresce, que é exactamente quando todas as operações a suspendem. É no pico que os hábitos se formam, e uma camada sazonal que passa três meses sem retorno sobre o seu trabalho aprende o que a pressão da fila lhe ensinar.

Com escalamento fácil e sem penalização. Uma pessoa recém-formada que hesita num caso deve poder passá-lo a alguém do núcleo em segundos, e essa transferência não deve contar contra ela em nenhuma métrica. Operações que penalizam escalamentos obtêm menos escalamentos e mais casos mal resolvidos.

E com expectativas realistas sobre o primeiro mês. Uma camada sazonal atinge o desempenho do núcleo por volta da sexta a oitava semana, o que em muitas épocas é já a meio. Planear com essa curva em vez de a ignorar muda o dimensionamento e evita concluir, todos os anos, que os sazonais não prestam.

Que obrigações específicas existem no turismo?

O livro de reclamações em formato electrónico aplica-se a alojamento, restauração, agências e operadores, e a reclamação chega ao regulador do sector ao mesmo tempo que à empresa. Num sector com volume sazonal concentrado, isto significa picos de reclamações nas mesmas semanas dos picos de ocupação.

Há também as obrigações específicas de viagens organizadas, com direitos de informação pré-contratual, de alteração e de reembolso que estão definidos por lei e não por política comercial. Uma equipa de apoio que improvisa nesta matéria cria responsabilidade em vez de resolver casos.

E os direitos dos passageiros aéreos, que atravessam constantemente o apoio ao cliente de operadores turísticos mesmo quando o voo não é vendido por eles. Saber onde acaba a responsabilidade do operador e começa a da transportadora poupa tempo em cada caso e evita compromissos que não se podem cumprir.

Como se prevê o volume da época seguinte?

A partir de reservas confirmadas com antecedência, que é o indicador mais fiável e existe meses antes do pico. A relação entre reservas e contactos de apoio é notavelmente estável por operação, e duas épocas de histórico chegam para estabelecer o rácio com utilidade prática.

Ajustado por composição. Um mercado emissor gera mais contactos por reserva do que outro, por razões que vão do hábito cultural à complexidade do produto comprado. Prever com o rácio médio numa época em que a composição mudou produz um erro previsível e evitável.

E com margem para eventos. Uma greve de transportes, uma alteração meteorológica severa ou um cancelamento em massa multiplicam o volume num único dia, e nenhum modelo os prevê. O que se pode planear é a resposta: quem é chamado, com que antecedência, e o que se suspende para libertar capacidade.

O erro a evitar é planear pelo total da época. Duas épocas com o mesmo total e curvas diferentes exigem equipas completamente diferentes, e o total é o número que se comunica à gestão precisamente por ser o menos útil para dimensionar.

Que vantagem traz a proximidade cultural?

Reduz o atrito nas situações difíceis, que no turismo são frequentes e emocionais. Um cliente que chegou a um alojamento que não corresponde ao que reservou, às onze da noite, com crianças, não está a avaliar a exactidão da resposta; está a avaliar se quem está do outro lado percebe a situação.

Também reduz mal-entendidos operacionais. Saber o que significa concretamente um feriado nacional num mercado emissor, ou porque é que uma reclamação sobre um determinado detalhe é séria para um cliente alemão e irrelevante para outro, poupa ciclos inteiros de esclarecimento.

E facilita o julgamento sobre excepções. Uma operação com autonomia para resolver decide melhor quando quem decide compreende o contexto do cliente, e a alternativa é escalar tudo, que é lento e caro e degrada a experiência em cima de um problema que já existia.

Vale a pena não exagerar o argumento. Proximidade cultural ajuda e não substitui competência linguística nem conhecimento do produto, e uma operação que vende proximidade e não domina o produto resolve menos casos do que uma que domina o produto com sotaque.

Perguntas frequentes

Qual é a razão típica entre pico e vale?
Três a cinco vezes em muitas operações turísticas portuguesas.
Quando recrutar a camada sazonal?
Com antecedência suficiente para formar antes do pico, não durante.
Que línguas são mais pedidas?
Inglês, espanhol, francês e alemão, com neerlandês a crescer no verão.
O núcleo permanente é mesmo necessário?
É o que preserva conhecimento entre épocas e reduz o custo de formação no ano seguinte.
Como se retém a camada sazonal?
Recontratando as mesmas pessoas ano após ano, o que corta o custo de formação seguinte.
Que canais pesam mais no pico?
Voz e mensagem em tempo real, porque as situações difíceis são urgentes e emocionais.
A automação ajuda na sazonalidade?
Ajuda no volume repetitivo, mas não substitui pessoas nas situações que geram reclamação.
O fuso importa no turismo?
Importa para reservas transatlânticas, onde Portugal cobre a manhã europeia e o início do dia americano.

Vamos ver os números do seu caso

Diga-nos que processos quer externalizar, em que línguas e com que volumes. Devolvemos uma estimativa em euros e um desenho de operação, sem compromisso.

Respondemos em menos de 6 horas em dias úteis. Se preferir escrever: info@corpshore.solutions